EDUCAÇÃO E OS NOVOS DESAFIOS

Para falar a língua dos jovens, é preciso aprender e interagir com eles.

Artigo de Daniel Heitor D'Amato, coordenador Pedagógico do Arbos/SBC

O novo é sempre surpreendente, visto que pode apresentar novas oportunidades, mas também novos temores. Há que se passar por uma transição ou uma quebra, aquilo que os gregos chamavam de “caos”. Mas o “caos” pode ser necessário.

A escola foi elitizada no Brasil durante muitos anos e, quando se universalizou, continuou sendo elitizada. Não temos qualidade em todas as escolas do país, e isso não é prioridade para o governo. Nos últimos movimentos que tomaram as ruas, percebemos que essa é uma exigência de nosso povo, além das relacionadas a temas como saúde, transparência e mobilidade urbana.


Mas algumas escolas, na contramão desse processo, buscam qualidade permanentemente. Querem aproximar o aluno do conhecimento, da descoberta, da interação e da formação total. Para tanto, é importante entender que a escola que dava certo antigamente terá de sofrer mudanças.

Nossos jovens têm muitas informações, são ativos, mas apresentam, sim, dificuldades com as regras. É claro que precisamos introduzir conteúdos, regras e atitudes, mas podemos falar a língua dos jovens e até os ouvir, aprender e interagir com eles. O professor pode ser tutor, educador e mediador, mas para tanto é necessário modificar a estrutura e a formação, e deixar o conservadorismo.

Toda mudança, seja tecnológica ou estrutural, tem de vir acompanhada de mudanças pessoais e posturais, de adaptação. É preciso saber que o professor é o centro de todo o processo, tem de ser valorizado e tem de se valorizar, buscar a adaptação para continuar sendo atrativo no mercado de trabalho.

Os novos desafios indicam que não podemos ter mais a estrutura do século XIX nas salas de aula, mas também é preciso pensar em modificações pessoais. Chegamos ao século XXI.

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