A opinião dos jovens sobre a situação do país espelha-se na experiência vivenciada dentro da escola.
Se parecia que estava tudo bem, no íntimo de cada um havia uma insatisfação com o rumo para o qual as coisas estavam sendo conduzidas no Brasil. As reclamações eram observadas nos meios virtuais, mas parecia que, na realidade, as pessoas estavam anestesiadas. Os políticos, por outro lado, pareciam não querer mais do que a própria manutenção no poder, sem considerar os clamores da opinião pública.
De repente as ruas pararam, com manifestações, as quais começaram com algumas bandeiras específicas e, catalisadas pelas redes sociais, canalizaram o desejo da maioria para além dos “20 centavos” do transporte: para buscar um país com mais saúde, educação, mobilidade urbana, segurança e ética.
De uma hora para a outra, os brasileiros descobriram que as coisas poderiam ser melhores mediante a mobilização de todos, o que não se via desde os jovens “caras pintadas” de 1992, quando o governo de Fernando Collor de Melo foi levado ao impeachment. Os jovens descobriram a força do exercício da cidadania e o poder de reagir contra os desmandos de uma elite política que se sentia perpetuada no poder.
Na sala de aula, esse tema não poderia faltar na agenda de discussões entre alunos e professores. Muitos jovens do Ensino Médio estão ansiosos por informações. “Primeiro, eles trazem a opinião dos pais”, diz a professora de redação Roberta Baradel, do Colégio Arbos. “Depois do debate, muitos mudam de ponto de vista.”
No Arbos/São Bernardo do Campo, os movimentos populares aconteceram simultaneamente ao processo de eleição de representantes de sala e de membros do novo Diretório Acadêmico. A opinião dos jovens sobre a situação do país espelha-se na experiência vivenciada na escola. “Os representantes de sala e os membros do Diretório Acadêmico puderam conhecer uma realidade que os estimula a desenvolver uma postura mais reflexiva e a capacidade de diálogo, exatamente o aluno que queremos formar”, explica Daniel Heitor D’Amato, coordenador pedagógico do Arbos.
O Diretório Acadêmico deu voz aos alunos. “Eles experimentaram a cidadania, conscientizaram-se sobre o que acontecia no país e refletiram sobre a importância da capacidade de dialogar”, analisa Luiz Antonio Limão, orientador educacional.
“Trabalhamos para que nosso aluno seja protagonista do processo ensino-aprendizagem, posicionando-se com clareza e objetividade”, explica Paulo André Cia, diretor pedagógico da escola. A experiência de vivenciar as mobilizações sociais reforça a importância do projeto pedagógico do Colégio Arbos, que, em seu perfil de atuação, estabelece justamente o objetivo de formar um aluno capaz de ser agente de integração e transformações sociais, presente, criativo, responsável, reflexivo, maduro e empreendedor.
Os jovens acreditam num futuro melhor. De acordo com a pesquisa Agenda Juventude Brasil, realizada entre os meses de abril e maio de 2013 e divulgada pela Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), mais da metade dos entrevistados disseram considerar a política importante e 91% acreditam que os jovens podem mudar o mundo.
Realizada antes das manifestações de junho, a pesquisa mostra que já havia interesse dos jovens em se mobilizar. Do total, 26% dos entrevistados afirmaram que a atuação em coletivos ou organizações é um dos caminhos para melhorar o Brasil. Em segundo lugar, com 20%, foram apontadas as manifestações e as ações diretas. Ao mesmo tempo em que há um desejo de engajamento, há uma negação de algumas formas de participação. Por exemplo, 88% dos entrevistados afirmaram que não participariam de um partido político e 81% disseram que não entrariam em movimentos e associações que lutam por alguma causa.
O retrato estabelecido reforça a esperança de um Brasil formado por jovens solidários e conscientes do seu papel de cidadania participativa, com senso de justiça e igualdade social. Que sejam tempos de mudanças para um país melhor.

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