MOBILIZAR É PRECISO

Alunos vivenciam direito de participar dentro e fora da escola.

A sensação de fazer parte da história se juntou à experiência de participar efetivamente das questões que envolvem a realidade dentro da escola. Foi assim que um grupo de alunos do Arbos analisou os acontecimentos recentes que tomaram as ruas das principais cidades do país.

Ao mesmo tempo, eles vivenciaram na Unidade de São Bernardo do Campo todo o processo de escolha dos representantes de classe e dos membros do novo Diretório Acadêmico (DA). Foram debates entre as chapas, campanhas políticas e processo eleitoral que mobilizaram os alunos. Cada sala também escolheu seu representante, um interlocutor que canaliza as questões dos alunos para os professores.

“Os representantes de sala ajudam sobre problemas com provas e falam para os professores sobre matérias  que não foram bem entendidas”, explica Pedro Bechelli Pinto da Costa, aluno do 7º ano do Ensino Fundamental.

“Quando fiquei sabendo as características ideais para ser representante, eu me vi lá”, explica Renan Saldeira Vendrame Faria, eleito em sua sala no 1º ano do Ensino Médio. “Muita coisa já foi pedida em favor da sala”. André Luiz Palota de Martino, do 6º ano do Ensino Fundamental, candidatou-se a representante porque sempre pensou que poderia ter a responsabilidade para ajudar a sala a melhorar.

Eleita para o Diretório Acadêmico, Juliana Daltrino Teodoro, do 2º ano do Ensino Médio, acredita que pode atuar de forma a complementar o trabalho feito pelos representantes em sala. “O objetivo é buscar, em conjunto, um ensino forte, considerando a questão social do aluno e tornando o ambiente escolar mais prazeroso”, comenta Juliana.

Para Daniel Heitor D’Amato, coordenador pedagógico do Arbos, o Diretório Acadêmico deu voz aos alunos. “Eles experimentaram a cidadania, conscientizaram-se sobre o que acontecia no país e refletiram sobre a importância da capacidade de dialogar”, analisa.

Essa consciência veio quase simultaneamente aos movimentos que agitaram as ruas das principais cidades do país no mês de junho. “Os movimentos sociais foram importantes para abrir os olhos das pessoas”, conta Pedro. “Uma manifestação aconteceu perto de casa e eu desci e vi de longe, mas me senti fazendo parte da história”, disse Renan. Para ele, não é sempre que as pessoas têm a chance de mostrar o seu poder.

“Foi um modo de mostrarmos que a presidente não é única a ter poder sobre o povo. Se continuar assim, as coisas vão melhorar”, comentou André. Mas todos ressaltaram a importância de o movimento ser conduzido sem violência. “Não adianta se revoltar e quebrar, tem que ser de forma pacífica”, indicou Luísa Damásio.

Para ela, a mobilização, que apelidou de Revolução dos 20 centavos, já devia ter acontecido há mais tempo. “Quando começou, não tínhamos a dimensão que iria tomar, pois havia muito conformismo. Agora o movimento entrou para a história”, disse Juliana.

Para Marcelo Salles Previti, que teme que as coisas voltem a ser como eram antes em pouco tempo, o importante é participar. “Podemos mudar, só depende do povo”. Luísa acredita que essa resposta também está no processo eleitoral: “Tem que pensar antes de votar”.

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