CUIDANDO DO NOSSO PLANETA

Por Elena Maria Rezende

Nossos limites ambientais estão ficando cada vez mais evidentes para a sociedade. Tal constatação traz diferentes posturas: desde ignorar a situação até se camuflar de “ecológico”. Mas alguns avançam e se engajam em movimentos ambientais. O fato é que a crise é generalizada: ambiental, econômica, cultural, ética, educacional, religiosa e por aí vai.

Nunca alcançamos cifras tão aviltantes de degradação em escala e complexidade. Alguns impactos ambientais e sociais já são irreversíveis. O desafio é mudarmos nosso padrão civilizatório. É disso que tratamos quando tentamos explicar o desabastecimento de água potável na Região Metropolitana de São Paulo.

A cruel situação está obrigando a todos a repensar este bem natural e nos perguntarmos: “Como usamos este recurso em nossas casas?”; “Como tem sido feita a gestão da água e dos mananciais pelos governos?”; “Com quais políticas e tecnologias incentivaremos o reuso e o combate às perdas d´água?”.

A crise da água exige de todos nós uma nova consciência. Inclusive para responder àqueles que, quando são chamados a atenção pelo desperdício, respondem: “Vai cuidar da sua vida”! E podemos responder: “É exatamente isso que estou fazendo! Cuidando da vida, da minha, da sua e do nosso planeta”.

É triste notar que a escassez está nos educando ambientalmente.Moramos na mesma casa, a terra, somos parte deste mesmo ambiente, que é inteiro, coeso, conectado, integrado, indissociável e interdependente. Se desejarmos um bem viver, temos que aprender a ter cuidados e limites, adotando o equilíbrio, o respeito com a terra, para só depois podermos dizer que somos adeptos de práticas sustentáveis.

Mas essa tal sustentabilidade somente se fará eficaz com uma participação popular qualificada, fomentadora de um legítimo diálogo, essencial para lidar com os conflitos e contradições em todos os níveis, pessoal e coletivamente, nas esferas econômica, social e política.

Lembremos que a ausência da democracia faz emergir populistas e autoritários. tem sido assim na história recente da América latina e do mundo. Por isso, já não nos basta “pensar global e agir local”. Precisamos de uma nova ordem democrática.

Vale citar e conhecer valiosas práticas sociais. Uma é a Carta da Terra, resultado de um amplo diálogo internacional e intercultural em prol de uma ética global com educação para a sustentabilidade. Outro exemplo é o programa Cidades Sustentáveis, que fortalece o diálogo entre governos e sociedade civil e que está sendo adotado em várias cidades do mundo.

A dica para superar essa crise é aprender a aprender juntos, reinventar nossas relações, criar novas dinâmicas mentais e espirituais capazes de ligar, inteirar e alternar posições, aceitar a diversidade e diferenças, construir redes, trilhas e plataformas de conhecimentos que se interajam e se complementem. Enfim, buscar vivências de inteligências coletivas e contínuas que ‘resignifiquem’ o nosso
sentido na vida.

Elena Maria Rezende é socióloga e educadora socioambiental. Atua como gestora ambiental no Semasa.

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