EDUCAÇÃO FEITA DE PONTES

Por Luciana de Vitta, diretora da unidade Arbos/SA

A criança começa a aprender desde que nasce. Logo está andando, depois começa a falar. Desenvolve-se numa velocidade espantosa e nos divertimos com isso. Em seguida, tão rápido, já vem a escola e ficam os pais aflitos com a “separação”.

No berçário, as crianças entram num universo de socialização, num ambiente que prioriza aspectos sociais, motores, cognitivos e afetivos. Na educação infantil, além da valorização do afeto, saberes e valores, cuidados e atenção, seriedade e riso, a fase permite que as crianças atuem como pensadores sistêmicos, aprendam a refletir sobre seus modelos mentais, a trabalhar em equipe e a construir visões compartilhadas com outros.

Quanto mais cedo isso acontecer, melhor será para o desenvolvimento da criança. Não tarda e os novos passos são dados. Educação infantil e ensino fundamental não são indissociáveis, mas o processo de educação tem passagens marcadas por mudanças muito características que exigem adaptação dos alunos para novos hábitos e rotinas.

Chamamos essas transições de travessias. No fundamental I, os alunos já são capazes de se mobilizar para os estudos, assumindo gradualmente uma atitude de maior organização, concentração e responsabilidade coletiva e pessoal.

A passagem para o fundamental II leva em conta a ampliação da matriz curricular e, consequentemente, o aumento do número de professores especialistas. A responsabilidade aumenta e a exigência por parte da escola e dos pais passa a ser ainda maior.

A adolescência chega progressivamente com as alterações hormonais, físicas e psicológicas, acompanhada das dúvidas e inseguranças naturais que envolvem os alunos. As aulas de Prática Educativa Coletiva (PEC) exercem um importante papel nesse processo, uma vez que promovem discussões sobre o processo de aprendizagem, ressaltando avanços e dificuldades do grupo-classe, e também discussões sobre diferentes temas relacionados ao universo adolescente.

Em seguida, ao final do fundamental II, o jovem se defronta com os desafios que lhe aguardam no ensino médio: intensidade acadêmica, social, emocional e moral. A criança cresceu e, agora, olha para si e para o mundo com outros olhos.

O adolescente, então, deflagra e se expõe na sua condição mais humana: medos, insegurança, prazeres, desejos, vontades, amores e raiva. As relações se tornam complexas, os conflitos se intensificam na escola e na família, porém, a compreensão de mundo ganha mais profundidade e a maior capacidade de abstração permite ao processo escolar dar um formato mais acadêmico e reflexivo à aprendizagem, ainda que o aluno, muitas vezes, resista a esse universo mais formal.

Cada travessia também é precedida por visitas aos ambientes futuros, experimentando um pouco daquilo que vão saborear em seguida. Uma bússola que facilita a passagem de uma etapa de ensino para a outra. Isso deve ser feito pelo corpo pedagógico das duas etapas, de forma que as crianças possam conhecer a futura fase, reconhecendo alunos e professores, e criando elos de ligação.

Durante o ensino médio, essa preparação para o futuro se dá por meio de palestras, de encontros com ex-alunos, de visitas às universidades e dos Projetos Especiais, um conjunto de módulos que tem como objetivo municiar os alunos com experiências para o mundo adulto e corporativo. As aulas tratam de direito, economia, oratória, empreendedorismo, ética, marketing pessoal, que ampliam, no aluno, a visão de mundo.

Hoje, a escola possui um caráter formador, aprimorando valores e atitudes, desenvolvendo, desde a mais tenra idade, o sentido da observação, despertando a curiosidade intelectual, capacitando a buscar informações, selecioná-las e utilizá-las no seu cotidiano.

A escola precisa ser ousada, integrada e estar em constante movimento. A proposta deve priorizar a construção de estratégias para aprender a aprender. A maneira como os percalços de cada travessia são enfrentados pode determinar o sucesso da continuidade do processo de aprendizagem.

O Colégio Arbos trabalha os conteúdos escolares de forma contextualizada e interdisciplinar. Relaciona as questões estabelecendo uma rede de conexões, fazendo pontes e percorrendo essas travessias para potencializar o processo de aprendizagem.

É assim que tornamos nossos alunos felizes, saudáveis e sábios. E melhores preparados para enfrentar e planejar um projeto de vida com metas e objetivos, através de escolhas assertivas, que resultarão em realização e sucesso profissional.

Mas tudo isso não é uma preparação para a vida. É a própria vida. A escola faz parte da vida, não a antecede e, por isso, seu caráter é eminentemente humanista.

Nenhum comentário:

Postar um comentário